Para começar quero pedir mais uma vez desculpas pelos atrasos nas atualizações. Feriados pra mim são terríveis... pois todo meu trabalho fica acumulado e preciso oferecer recolocação de dias e horários que se embolam nessas semanas com feriados e enforcamentos para viagens....
Enfim... estamos aqui.
Vamos ao que interessa aos nossos leitores, não é mesmo?
Recebi um tempo atrás um email da nossa amiga avassaladora Barbara com um texto atribuído a Flavio Gikovate famoso psicoterapeuta e psiquiatra, com livros bem interessantes.
O texto fala da liberdade de estar, gostar e principalmente suporta-se só.
Não sei bem porque, mas lembro sempre das aulas de biologia quando o mestre explicava a capacidade de sobrevivência das espécies está diretamente ligada a sua rapidez e eficiência na adaptação as condições do ambiente.
Ora... Nos dias hoje podemos dizer que a adaptação seria estar só?Suportar-se só?
Leiam o texto.
Pensem e respondam: Você se considera adaptado (a) ao seu tempo?

A liberdade de cada um de nós pode ser pensada em termos amplos, relacionados à coragem para abandonar uma vida convencional de trabalho – renunciando a uma boa situação financeira, abrindo mão da posição social e, por vezes, da família – com o objetivo de fazer outra vida em outro local, longe de todas as pessoas que até então nos cercaram. Num caso assim radical, é claro que, apesar do fascínio que tal proposta possa nos provocar, muitos medos e freios íntimos nos impedirão de agir.
Quero tratar agora de algo muito mais simples: estou pensando nas pequenas restrições que a maior parte das pessoas aceita, de forma passiva, como se elas fossem inerentes a qualquer forma de vida em comum. O que leva um marido honesto a aceitar como natural a “bronca” que ele leva sempre que chega em casa mais tarde porque teve de ficar mais tempo trabalhando? Não seria razoável imaginar que é justamente numa condição como esta que a criatura deveria ser recebida com um zelo ainda maior, uma vez que provavelmente estará mais cansado – quando não contrariado?
O que leva uma mulher honesta a aceitar como prova de amor a “bronca” que ela leva sempre que o marido chega em casa antes dela, ainda que isto se deva ao fato de ela estar cuidando da sogra inválida? Qual a razão para que um filho adulto e responsável seja forçado a se submeter a regras que envolvam, por exemplo, horário para chegar à noite em véspera de feriado? Por que é tão ofensivo que este mesmo filho prefira ficar dormindo durante o horário do almoço dominical em vez de participar do mesmo? Qual o problema se ele for dormir muito tarde se é capaz de acordar cedo no dia seguinte e dar conta de todas suas obrigações? Por que o marido pode decidir que a mulher não deve sair com uma dada roupa, tida por ele como imprópria? Por que as mães sabem melhor se seus filhos irão passar frio sem o agasalho que elas insistem em fazê-lo usar? Por que o marido tem de “pedir licença” à sua mulher para ir, com os amigos, ao futebol no domingo?
Tantas perguntas de igual conteúdo poderiam ser feitas ainda, todas elas relacionadas às pequenas concessões que fazemos sempre com o intuito de evitar atritos com aqueles com quem convivemos. Temos a impressão de que não se trata de grave perda, uma vez que cada uma dessas renúncias envolve desejos menores. Porém, o que acaba pesando é o conjunto, a soma de pequenas concessões indevidas e desnecessárias. Apercebemo-nos de que estamos acumulando certa mágoa e frustração por tais limitações à nossa liberdade quotidiana justamente quando temos a oportunidade de ficar sozinhos por alguns dias.
É cada vez maior o número de pessoas que têm a oportunidade de viver tal experiência, antes pressentida como assustadora e provocadora de grande pânico – sim, porque crescemos com a ideia de que ficar só envolve graves dores e forte humilhação social: quem se sente com coragem para ir a um restaurante sozinho? A vivência é muito interessante, uma vez que, superados os primeiros momentos de medo, as pessoas passam a achar “o máximo” ficar com a televisão ligada pelo tempo que desejam dormir com a quantidade de cobertores que sua temperatura corpórea pede comer (ou não) na hora que bem lhe aprouver e assim por diante.
Muitas são as pessoas que, depois de um período de vida livre de tais obrigações grupais que impõem duras restrições à nossa modesta liberdade quotidianas, não se sentem mais em condições de aceitar tais regras. É mais ou menos assim: quando uma pessoa descobre que pode viver relativamente bem sozinha, que é capaz de superar o vazio e o pânico que podem surgir neste contexto torna-se menos tolerante às exigências possessivas, ciumentas e, por vezes, invejosas impostas pelos elos afetivos usuais. Não é raro que tal mudança lhe chegue carregada de dúvidas de caráter moral: “será que estou me tornando uma pessoa egoísta?” É sempre bom lembrar que o egoísta não é o que cuida bem dos seus direitos e sim o que quer se apropriar do que não lhe pertence. Logo, é mais que legítimo o direito de uma pessoa não querer mais fazer as pequenas concessões próprias da rotina da maior parte dos grupos familiares e sociais.
A verdade é que fazemos muitas coisas contra nossa vontade apenas porque não nos sentimos com coragem para arcar com as consequências da nossa rebelião. Tememos a rejeição, as críticas diretas, o julgamento moral. Tememos o abandono e a condenação à solidão. Quando percebemos que existe um lado muito interessante no estar só, quando perdemos o medo de nos defrontarmos com nossa subjetividade e somos capazes de imaginar uma vida rica mesmo longe daquelas relações sociais que nos impõem limites indesejáveis, rebelamo-nos contra estas pequenas e múltiplas regras restritivas à nossa liberdade individual. Tornamo-nos mais livres de todo o modo, mesmo quando não rompemos nossos elos. O que acontecerá é a gradual mudança nas regras de convívio, que terão de se adequar aos novos tempos, tornar-se mais respeitadoras da individualidade e da liberdade que dela deriva. Impossível abrir mão de uma conquista tão prazerosa.
Flávio Gikovate
E então.
Como se sentiu lendo este texto? A carapuça lhe caiu bem ou você vai ficar reclamando diante da tela do seu computador dizendo: Imagine! Isso não acontece comigo e nunca vai acontecer!
Será? Você está absolutamente certo(a) disso?
Essa questão é super atual e valida para avassaladores e avassaladoras de todas as idades e condições.
Porem, como tudo na vida tem um preço, essa tal liberdade também. A pergunta agora é: Você está preparado(a) para pagar tal preço? Ou melhor, você tem capacidade de adaptar-se as condições adversas dos novos ambientes?
No fundo do túnel do tempo chamado You Tube encontramos esse videoclip com Zezé Motta para seu deleite:


4 comentários:
Amigas(os) avassaladoras(os), muito bom o texto sobre LIBERDADE. A vida (nesse plano) é uma só e, se abrirmos mão de nossos momentos, vamos cobrar de alguém. Aí começam os problemas, sejam familiares, matrimoniais, até de amizade. Amor que é AMOR, entende e respeita a individualidade dos outros, respeita a VIDA ALHEIA! E isso não pode ser confundido com solidão! ABÇOS.
Como comissária sou abrigada a passar muito tempo só e já sofri muito com isso... hj aproveito esse tempo que é só meu e adoro!
Bjoo!
Querida amiga avassaladora...Denise.
Sempre que recebemos comentarios interessantes e verdadeiros ficamos muito felizes.
Muito gratas pela sua participação.
Querida amiga avassaladora...Persona.
Nossa capacidade de adaptação as situações adversas(solidão para nós humanos e gregarios) é um fator primordial para nossa sobrevivencia prazerosa e feliz.
bjus avassaladores.
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