Não sei... Se a vida é curta Ou longa demais pra nós, Mas sei que nada do que vivemos Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas(...) É o que dá sentido à vida.(CORA CORALINA)

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domingo, 11 de julho de 2010

TODA MULHER É MEIO ANGELINA JOLIE! É?

Queridas(os) amigas(os) avassaladoras(es)....

Agora é oficial.
Tenho de fato um hábito peculiar. Resgatar revistas velhas de salas de espera empoeiradas.

Desta vez, foi um exemplar da revista VEJA.Uma edição especial dedicada a nós. A chamada de capa traz um par de pernas cruzadas com sapatos lindos! E um subtítulo assim: AS HERDEIRAS DE UMA REVOLUÇÃO.

Óbvio que imediatamente arregalei os olhos e perguntei a mim: Sou herdeira ou revolucionaria?

Comecei a folhear, despretensiosamente, e deparei com uma ótima pesquisa sobre o que aconteceu com as mulheres nas últimas 4 décadas no mundo e especialmente no Brasil.

Hoje começo uma série de postagens utilizando este exemplar “resgatado”. O título foi um desafio a parte. Tentei encontrar algo que chamasse a atenção de homens e mulheres de todas as idades.. Difícil, não é mesmo?

Primeiro pensei em algo como Sexo, Drogas e Rock and Roll... Mas é tão batido! E depois fui amadurecendo a idéia e Eureka!

“TODA MULHER É MEIO ANGELINA JOLIE! É?”

Por que escolhi esta mulher e não a nossa lenda libertaria Leila Diniz? Simples amigas avassaladoras... No momento, esta mulher parece ter e/ou ser tudo o que uma boa parcela da população hetero, homo e/ou Bisexual deseja.Um homem desejado, filhos paridos e não paridos, fama, beleza, sucesso e uma felicidade (verdadeira? não sabemos) constrangedora.

Que mulher não se arrepiou todinha ao assistir cenas tórridas de Jolie e Banderas no filme Pecado Original?

Quem não sente certa inveja dessa mulher que representa a gostosona do século?Será que ela é isso tudo mesmo?

Um dos artigos que compõe a Super revista,escrito pela Mary Del Priore, historiadora e autora do livro HISTORIA DAS MULHERES NO BRASIL fala com propriedade das armadilhas que nós mesmas criamos para nossas vidas, e uma delas é “A sexualidade da mulher brasileira virou assunto obrigatório _ Tão obrigatório que chega a ser entediante.”

Por graça, lembrei-me de uma frase que minha mãe repetia quando eu queria correr para brincar antes de fazer meus deveres e tarefas:

“Primeiro a obrigação, depois a devoção”

Será que nosso sexo virou obrigação? E então, para onde foi a devoção? Quando vamos nos divertir sem compromisso performático?

Ser “boa de cama” virou dever? E o que é “ser boa de cama”?

Quando vamos parar de procurar o mito da mulher gostosona?E desejar ser apenas uma mulher de carne, osso e estrogênio? Toda mulher é meio Angelina Jolie?

Leiam o artigo:

Nos lençóis macios, amantes se dão", como na canção de Roberto e Erasmo. Bonito, não? Mas foi preciso percorrer um longo caminho para que a brasileira visse os "travesseiros soltos" e as "roupas pelo chão". A ruptura só começou no fim dos anos 1960, e se consolidou nos anos 1970 e 1980. Antes, a mulher vivia em um mundo no qual manter as aparências de moça de família era fundamental. Nada de "proceder mal". A felicidade conjugal, do ponto de vista feminino, era ser complemento do marido no cotidiano doméstico, dormir de camisola e fazer amor à meia-luz. Nudez total? Só no escuro. Nada de acrobacias eróticas. Fundamental mesmo era ter bom senso: no caso de traição por parte do marido, "fingir ignorar tudo e esmerar-se na aparência para atraí-lo", como sugeriam as revistas femininas. As mesmas que definiam o bem-estar masculino como o bem supremo. E, para atingir tal bem-estar, qual a receita? Conquistar pelo coração e prender pelo estômago. Jamais discutir por dinheiro. Não se precipitar para abraçá-lo quando começasse a ler o jornal. E não contrariá-lo nem quando quisesse fumar um charuto, antes de dormir com luz acesa. Brigas entre o casal? A razão era sempre dele. Mas, se razões houvesse, ela tinha de resignar-se em nome da tal felicidade. O melhor era usar o "jeitinho": assim o marido cedia. Nada de enfrentamentos ou franqueza exagerada. Afinal, o temperamento poligâmico do homem explicava tudo. Em meados do século XX, continuava-se a acreditar que ser mãe e dona de casa era o destino natural da mulher. Já a iniciativa, a participação no mercado de trabalho, a força e o espírito de aventura definiam a masculinidade.

A chegada maciça da pílula anticoncepcional às farmácias, na virada dos 60 para os 70, representou a antessala da chamada revolução sexual. Livre da sífilis, e ainda longe da aids, a jovem podia provar de tudo. O rock’n’roll introduziu a agenda: férias, velocidade e o lema "amai-vos uns sobre os outros". A batida e as letras indicavam a rebeldia diante da autoridade do mundo adulto. Nas capitais e nos meios estudantis, a moça escapava às malhas apertadas da família. Encontros em festas, festivais de música, atividades esportivas e clubes noturnos deixaram-na cada vez mais solta. Saber dançar tornou-se o passaporte para o amor e a tentativa de adaptação a um mundo novo e esforçadamente rebelde.

Carícias se generalizavam. Na cama, novidades. A sexualidade, graças aos avanços da higiene íntima, se estendia ao corpo inteiro. Preliminares ficaram mais longas. Na moda, a minissaia começou a despir os corpos. Lia-se Wilhelm Reich, para quem o nazismo resultou da falta de orgasmos. A idéia de que os casais, além de amar, deviam ser sexualmente equilibrados começava a ser discutida por algumas "prafrentex", como se dizia. Era o início do direito ao prazer para todos, sem que a mulher fosse atormentada por se interessar por alguém.
A imprensa da época revelava idas e vindas do "casal moderno". As reportagens anunciavam a necessidade de a mulher conhecer a si mesma (e aos homens). Afinal, ela já estava "cansada das angústias que a marcaram por tanto tempo". Quanto à "dificuldade de ser fiel", eis a conclusão de um texto de jornal daquele tempo: "Ora, a imagem da mulher emancipada não suprime a imagem da mulher essencialmente pura, basicamente fiel". Quanto ao homem, sua infidelidade seguia intocável. Havia ambiguidade semelhante em relação ao feminismo: se a mulher deixou de baixar a cabeça para passar a dizer "eu quero, eu posso, eu vou fazer", os primeiros sinais de desprezo pelo movimento não tardaram.

A imprensa feminina, reflexo natural da sociedade, continuou a investir na figura da mãe e da dona de casa. Só que, agora, angustiada. Questionada pelos filhos e ameaçada pelas mais jovens, seu horror era "ser trocada por duas de 20". Multiplicavam-se as colunas do gênero "como salvei meu casamento". Para a liberada que aderisse à revolução sexual, não faltavam informações para "entrar no fechadíssimo clube das cabeças que pensam e decidem". Porém, para entrar no tal clube, era preciso ter cabelos esvoaçantes e corpo sedutor. O casal continuava a ser o ponto de referência. E, como antes, o homem era o juiz que avaliava a mulher. Ele era o seu objetivo e razão de ser. E, como antigamente, o "medo de se amarrar" continuava o mesmo. Os argumentos científicos brotavam para ilustrar as diferenças: "Ele tem, biologicamente, o instinto da conquista desde os tempos pré-históricos (...) já a maternidade dotou a mulher de uma estrutura emocional passiva".

Início do século XXI: graças à pílula, o sexo não é mais uma questão moral, mas de bem-estar e prazer. O aumento de divórcios não impede a mulher de recomeçar. Por isso, seu álbum de família contém novos atores: enteados, meios-sogros, produções independentes. Ocupando cada vez mais os postos de trabalho, ela busca o equilíbrio entre o público e o privado. Entre parceiros, surgem regras e práticas mais igualitárias. Graças à independência financeira, ela não fica mais casada por conveniência, dividida entre o desejo de vários parceiros sexuais e a estabilidade necessária aos filhos.

Seu percurso aponta para conquistas, mas também armadilhas. Se a profissionalização trouxe independência, trouxe também stress e exaustão. A desorganização familiar onerou, sobretudo, os mais indefesos: as crianças. A tirania da perfeição física empurrou a mulher não para a busca de uma identidade, mas de uma identificação. O nu, na mídia, despiu seu corpo em público, banalizando-o. Uma estética voltada ao culto da boa forma, fonte de ansiedade e frustração, levou a melhor. No início do século XXI, "liberar-se" tornou-se sinônimo de lutar, centímetro por centímetro, contra a decrepitude. A mulher continua submissa. Agora, não mais ao marido, mas à publicidade. E não há prisão pior do que aquela que não permite mudar nem envelhecer junto com o resto da população.

Nas últimas décadas, ela participou de outro movimento: o que separou a sexualidade, o casamento e o amor. Foi o momento de transição entre a tradição das avós e a sexualidade obrigatória das netas. Ninguém mais quer casar sem "se experimentar". Frigidez, nem pensar. "Ficar e se mandar" é a regra. E só se fala em "sexualidade plural". Separada da procriação, sem culpa, ancorada pela psicanálise e exaltada pela imprensa, a sexualidade da mulher brasileira se tornou assunto obrigatório. Tão obrigatório que chega a entediar. Resta perguntar quem vai lavar, passar e arrumar os tais lençóis macios da cama. Os historiadores de amanhã dirão.


Então.

Valeu resgatar a tal revista?

E você que leu, o que pensar sobre o assunto?
Agora, arrepie-se com algumas cenas de PECADO ORIGINAL:




4 comentários:

Nira disse...

Todas temos um pouco de Angelina em nõs. Umas mais, outras menos, mas sempre tem alguma coisa sim. E vamos reconhecer: a mulher é poderosa. Pegou um dos caras mais desejados do mundo e colocou dentro de casa trocando fralda de neném. Qualquer tem as armas pra ser o que quiser ser mas nem todas sabem usá-las e acabam perdendo tempo demais com detalhes que não tem importância, ou se sentindo inseguras quando na verdade não há razão para isso. O importante é dar vazão à Angelina que existe dentro de cada uma de nós.

Camila Monteiro disse...

E viva o desenvolvimento mundial!!!!
chega de amelias, queremos é igualdade memso, memso sabendo que estamos seguindo pelo caminho mais dificil é sempre mais gratificante!
Valeu muito a pena ter rasgado essa revista!!!!
Amei o artigo demais, demais, demais!!!
Beijos avassaladores para vcs!!!!

JOY disse...

Deixa eu aproveitar para divulgar uma promoção que a revista onde trabalho, está fazendo, participa, caso se interessar!

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CORRE QUE DA TEMPO!

Dri Andrade disse...

Amiga avassaladoraaaaaaaaassssssssss!!!
Mudei de blog amigas, to de endereço novo, é esse ai.
espero vcs la, ja estou seguindo aqui vcs me sigam tbm vou ficar feliz, no outro não dava pra seguir era outra plataforma lembra?
espero vcs,
um big beijo
Dri

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